por Aleatori0 | mar 13, 2024 | Artigos
Os inquéritos em curso na Polícia Federal e no STF, terão um desfecho dramático nos próximos dias. Já não se trata mais de um inquérito sobre o 8/01, mas um inquérito sobre o conjunto de atos antidemocráticos de 7 de setembro de 2021, de 30 de outubro de 2022 e de 12 de dezembro de 2022, permeado por mal-feitos do âmbito do Direito Penal. A situação atual aponta para as seguintes podsibilidades 1. A prisão de alguns generais, oficiais de média patente e de pelo menos um almirante em decorrência dos depoimentos do general Freire Gomes, do Brigadeiro Batista e o novo depoimento do tenente Coronel Mauro Cid, o que antecederia, mas não muito, a prisão de Bolsonaro; 2. Os oficiais bolsonaristas estão inflando o número de generais acusados visando criar mal-estar nas Forças e, consequentemente, instabilidade do governo. Ambas as versões não são excludentes. De qualquer forma, o Governo Lula gostaria que nada acontecesse até depois de 31 de março, para não produzir a impressão de “provocação”. Daí a orientação, equivocada, de Lula de não rememorar os 60 anos do Golpe de 1964. O governo federal continua, erradamente, distinguindo o bolsonarismo da tradição golpista dos Militares na História da República. Ao contrário dos especialistas, o núcleo político do governo não reconhece no bolsonarismo uma forma, a atual, do militarismo golpista. Assim como o positivismo, o florianismo, o tenentismo, o anticomunismo (sic) e o anti-trabalhismo golpista de 1964, o bolsonarismo é fruto dos quartéis, tendo como grande diferenciação o fato de ter unificado as diversas Direitas brasileiras via a fascistização. Perde-se assim a oportunidade única, histórica, de revogar a vigência da “Doutrina da Tutela Militar” ainda, e de forma ativa, vigente em setores das FFAAs e das polícias no Brasil.
por Aleatori0 | dez 6, 2023 | Artigos
É muito confuso e injusto apontar para os movimentos identitários atuais como causa da crise na Educação no Brasil . Mesmo trabalhando com apenas um fator da Desigualdade profunda no Brasil ( fator histórico raça/etnia, derivado da Escravidão e sua permanência social), o identitarismo é um fenômeno recente no país, ainda sem uma avaliação possível em sua completa extensão enquanto fenômeno de Emancipacao. Por outro lado, a “crise da Educação no Brasil é um projeto secular”, como diria Darcy Ribeiro. O Projeto “Novo” Ensino Médio/NEM, hoje entregue com descaso nas mãos das oligarquias no Congresso Nacional – “Mendoncinha” e outros – , é uma confirmação de uma proposta elitista que só valorizará as escolas privadas e confessionais, reproduzindo na Educação as desigualdades de etnia, gênero, sociais e etárias, além da Desigualdade urbano/rural e entre as diversas regiões do Brasil. Precisamos de um projeto nacional, amplo, includente, de qualidade e laico para a Educação brasileira. É uma exigência de justiça social e, também, uma exigência para a qualidade da Democracia no Brasil. É preciso descolonizar e deselitizar a Educação construindo um projeto brasileiro de Educação. De fato devemos: (1) reformar os currículos básicos em direção de ampliação de habilidades, desenvolvimento da sociabilidade e descoberta de vocações; (2) tornar real o tempo integral em todas as escolas, com três refeições diárias, esportes, artes e assistência médica – o Brasil voltou a ser um país do mapa da fome; (3) formar mais e melhor os professores, que devem ser professores de 40 horas numa só escola, e não professores “de matrículas” múltiplas; (4) organizar um Plano de Cargos e Salários digno para os professores, com base no regime de 40 horas e DE , e amparar profissionais de artes, saúde, agronomia, informática, etc…. a serem habilitados como instrutores nas escolas de perfil específico, sob supervisão dos professores designados. Tudo sustentado por municípios e Estados, com subvenção federal onde necessário; (5) transformar as escolas em ambientes convidativos, agradáveis e seguros para alunos , professores e todo o pessoal envolvido no processo educacional; (6) manter as escolas abertas nos feriados e fins de semana para atuação de grupos de teatro , festivais de música, exposições de arte e esportes, protegendo crianças e adolescentes e fomentando talentos e vocações.
Para tudo isso devemos abandonar as ilusões do “Projeto de Sobralização” da Educação no Brasil. Não se trata de melhorar estatísticas. Queremos mudar a vida. Devemos, para isso, fazer avaliações por escolas, não por alunos, nas capacidades básicas de Ler, Escrever e Contar, investir no letramento “social” e informacional, entender o mundo digital como ferramenta geral de conhecimento e de habilitação, não como conteúdo específico. Não podemos aceitar a “ilusão estatística” que aponta a correspondência faixa etária / seriação como bastante e nem tão pouco o número de matrículas e a demanda demográfica. Devemos valorizar o Ensino Médio como fase de aprimoramento de conhecimentos e de primeiros passos da cidadania. Precisamos de avaliações de qualidade e autonomia , fora do universo de múltipla escolha. Nesse contexto, de ênfase em Ler, Escrever e Contar os conteúdos específicos da Educação Básica virão na forma de ferramentas, exercícios, visitas guiadas e laboratórios de criação, com muitos recursos ao áudio-visual.
Ou fazemos já uma “Revolução Educacional” no Brasil ou seremos sempre um país das profundas desigualdades transversais – de tipo social, étnica, de gênero, região e idade. Só a Educação Crítica liberta do ódio, do preconceito e emancipa todxs numa nação próspera e justa.
Viva Darcy Ribeiro! Viva Paulo Freire!