Mordaça puída

Mordaça puída

Revista Carta Capital
por Maurício Thuswohl
17/01/2026

 

 

A prisão de um ex-presidente, três generais e um almirante, integrantes do núcleo central da trama golpista que culminou na invasão da Praça dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023, já entrou para a História como um dos raros acertos de contas do Brasil com agentes militares que atentaram contra a democracia e o Estado de Direito. Mas as tentativas de amordaçar aqueles que buscam lançar luz sobre o período sombrio da ditadura civil-militar, que subjugou o País por 21 anos a partir de 1964, continuam a acontecer.

 

O alvo da vez é Francisco Carlos Teixeira, professor emérito da UFRJ e uma das maiores referências acadêmicas na análise e compreensão da participação das Forças Armadas na política brasileira. Teixeira é réu em um processo por calúnia, difamação e “falsificação da História”, além de enfrentar um pedido de proibição do exercício da docência e uma cobrança de indenização de 30 mil reais,
movido por um general que já se declarou um dos idealizadores da brutal repressão à Guerrilha do Araguaia.

 

Assinada pelo escritório Migueis Advogados, a ação por reparação e danos morais é movida pelo filho do general reformado Álvaro de Souza Pinheiro, hoje incapacitado pelo Mal de Alzheimer. O militar da reserva tornou-se uma celebridade instantânea em 2020, após viralizar nas redes sociais um vídeo em que aparece brandindo uma arma e ameaçando policiais militares, depois de ter sido repreendido por caminhar sem máscara na pista da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, no auge da pandemia. O episódio terminou com a alegação de um “surto psicótico” e com Pinheiro sendo conduzido ao hospital por familiares.

O militar acusa o professor da UFRJ de “falsificação da História” e pede a cassação de seus títulos acadêmicos

O general, que fez carreira como um “kid preto” nas Forças Especiais do Exército, já havia ganhado notoriedade sete anos antes, quando, em depoimento à Comissão Nacional da Verdade, confirmou ter sido um dos mentores do cerco à Guerrilha do Araguaia, operação que resultou em 60 guerrilheiros mortos ou desaparecidos. “Eu fui condecorado, inclusive. Sou absolutamente orgulhoso dessa participação. Como tenente operador, participei do processo decisório do mais alto escalão”, disse. Em outro trecho marcante, PinheiMordaça puída CENSURA Entidades saem em defesa do historiador Francisco Teixeira, alvo de ofensiva judicial de general da reserva  ro é questionado sobre se conheceu Osvaldo Orlando da Costa, o Osvaldão, um dos combatentes assassinados: “É evidente que conheço nosso amigo Osvaldão, quem não o conhece? Vocês devem conhecer o Osvaldão melhor do que eu hoje em dia; devem saber exatamente o dia em que ele foi para o inferno, lugar de onde nunca deveria ter saído”.

 

Kid preto. Ex-integrante das Forças Especiais do Exército, Álvaro de Souza Pinheiro se vangloriou da violenta repressão à Guerrilha do Araguaia em depoimento à Comissão Nacional da Verdade

Apesar das palavras públicas do próprio general, Teixeira está sendo processado por “falsificação da História” por ter declarado no ano passado, durante uma live na internet, que os “kids pretos” têm no general Pinheiro seu “grande instrutor e herói”, e que este é “um torturador notório e inimigo da democracia”. O professor também afirmou que as Forças Especiais constituem “um ninho de conspiradores anticonstitucionais”. Na ação, os advogados de Pinheiro sustentam que ele “é um conceituado e respeitado militar do Exército Brasileiro, que comandou e instruiu milhares de militares em todo o território nacional”, além de possuir “história e carreira ilibadas” e “diversos elogios e condecorações em seu extenso currículo”.

 

Em quase cinco décadas de carreira, Teixeira é autor ou organizador de mais de uma dezena de livros, muitos dos quais abordam temas como o fascismo e o intervencionismo político das Forças Armadas. A CartaCapital, ele disse acreditar que a ação penal movida em nome do general não é pessoal, mas faz parte de uma ampla operação de silenciamento. “Querem calar intelectuais, pesquisadores e professores que não permitem que o apagamento se abata sobre a história do tempo presente no Brasil. Minha convicção se baseia nos diversos processos movidos contra vários intelectuais, inclusive ex-integrantes das Forças Armadas, que tentam, por meio de exigências financeiras e da obrigação de retratação, silenciá-los.”

 

Prêmio. O general da reserva disse ter recebido uma condecoração pela operação que deixou 60 guerrilheiros mortos ou desaparecidos no Araguaia

 

O professor foi um dos criadores, em 1994, do Laboratório de Estudos do Tempo Presente da UFRJ, que pesquisa a transição política e o processo de redemocratização no Brasil. “Entre nossas linhas de investigação, evidentemente, estão a repressão política, a presença da tortura, os sequestros e o desaparecimento de militantes e de pessoas que resistiam à ditadura”, afirma. A dedicação ao tema vem desde os tempos de estudante na própria UFRJ e já lhe rendeu outras perseguições. “No meu quinto semestre, em 1975, fui acusado de ser agitador comunista e elemento perigoso para a ordem. Foi aí que conheci a repressão pela primeira vez”, lembra. Curiosamente, a denúncia contra o então estudante foi feita por um professor de História Moderna e Contemporânea, cadeira hoje ocupada por Chico, como é chamado pelos colegas e alunos. Em 1978, ele chegou a ser preso. “Agora é a terceira vez. Aos 71 anos, estou retornando aos 19, quando enfrentava a ditadura com outros milhares de brasileiros.”

 

Com a tentativa de golpe bolsonarista, Teixeira passou a ser procurado por diversos veículos de comunicação para comentar o tema. Desde então, vieram as ameaças. “Tenho recebido mensagens anônimas por WhatsApp e e-mail. Uma delas dizia que eu iria levar um tiro de fuzil na testa por defender veados e comunistas. No momento em que você se torna um pesquisador conhecido, que publica livros e aparece em programas de televisão ou rádio, isso mobiliza todos os malucos possíveis contra você”, lamenta.

 

As ameaças e tentativas de silenciamento vêm de um setor específico, não das Forças Armadas como um todo, ressalta o professor. Ele lembra que, em 1994, foi convidado por Fernando Henrique Cardoso a participar do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, onde continuou atuando, sempre de forma não remunerada, nos governos Lula e Dilma. Teixeira também lecionou na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército e na Escola Superior de Guerra, onde foi um dos fundadores do programa de pós-graduação em Segurança Internacional. “Fiz bons amigos, inclusive entre generais de quatro estrelas.” Alguns deles confirmaram a ele que está em curso uma tática militar conhecida como Operação Psicológica Adversa, direcionada contra aqueles que trabalham com a memória recente do Brasil. “Se eu for condenado, nenhum historiador, cientista político, sociólogo, pesquisador do direito ou jornalista terá mais liberdade”, alerta.

“Se eu for condenado, nenhum pesquisador ou jornalista terá mais liberdade”, alerta Teixeira

Essa percepção gerou uma onda de solidariedade a Teixeira, que se espalhou por universidades e organizações da sociedade civil. “Qualquer investida que procure restringir o pensamento, reescrever fatos históricos por vias coercitivas ou constranger pesquisadores deve ser firmemente repudiada”, afirma nota divulgada pela Associação Nacional de História, que ressalta ainda que a Justiça não é “o fórum adequado para debater análises, teorias e pesquisas históricas”. Já o Instituto Brasileiro de Estudos Políticos manifesta “veemente repúdio à tentativa de calar uma voz competente por parte de um oficial que serviu nos tempos da ditadura”. O Ibep classifica a ação movida por Pinheiro como “risível”. “Trata-se de uma reação dos que estiveram no porão da ditadura aos avanços, ainda que tardios, das condenações dos que praticaram e praticam crimes de lesa-humanidade.”

 

Para Luiz Eduardo Motta, também professor da UFRJ, os militares brasileiros, se comparados aos vizinhos sul-americanos, foram os que menos mudaram seu comportamento desde o fim da ditadura. “A Comissão da Verdade provocou uma reação acintosa de parte dos militares ao revirar questões dos porões da ditadura que até então permaneciam ocultas”, afirma. Motta avalia que “esse general de pijamas não vai conseguir seu intento” de restaurar a censura característica do regime militar. “Esse sujeito quer simplesmente tolher a produção de conhecimento. Mas, por mais que isso agrade ou não a determinados setores, nós, pesquisadores que analisamos o período da ditadura, a ascensão da extrema-direita, o fascismo ou as práticas ainda permanentes de caráter autoritário nas corporações militares, incluindo a Polícia Militar, continuaremos realizando as nossas pesquisas”, conclui.

 

 

 

A volta ao tempo do medo

A volta ao tempo do medo

Eu cresci e vivi minha infância e adolescência, como outras milhões de pessoas em todo o mundo, sob o risco do apocalipse atômico. Tinha 11 anos de idade quando minha professora na Escola Estadual Conde de Agrolongo, na traumatizada Penha, Rio de Janeiro, nos falou de Hiroshima, Nagasaki e das explosões nucleares no Atol Bikini. Foi então que vi as primeiras imagens de Hiroshima, do mar de Bikini, e da criação pelo homem de armas capazes de destruir o mundo. Adolescente, o medo do apocalipse nuclear se expressava claramente em filmes “do fim do mundo”, e nas séries japonesas originais de “Godzilla”. O original “Gojira” foi lançado em 1954 pela Produtora Toho, sob  a direção de Ishirō Honda e produzido por Tomoyuki Tanaka. Tratava-se claramente de uma advertência, metafórica, sobre os impactos do uso das armas nucleares e seus testes ao ar livre e a consequente contaminação radioativa. Para muitos, o próprio Godzilla representava uma personificação do medo pós-guerra no Japão – o único país alvo de um ataque nuclear.

Inaugurava-se através do filme de Ishiro Honda, o gênero “kaiju” – o cinema de monstros gigantes – com um estilo próprio, miniaturizado, de efeitos especiais ditos “tokusatsu”, que apresentavam cidades sendo destruídas por monstros criados pelos efeitos da radiação.

O Ocidente não ficou atrás: em 1955 o diretor Jack Arnold lançava “Tarântula”, com fantásticos efeitos, em particular as sequências de externas no deserto da Califórnia, denunciando uma ciência sem ética. Em seguida vinha o desconcertante “O Incrível Homem que Encolheu”, também de Arnold, em 1956. Monstros povoavam as telas de cinema em consequência da radiação nuclear decorrente de experimentos humanos – em especial os testes nucleares de superfície, tanto nos atóis do Pacífico como nos desertos do Novo México e no “Nevada Test Site”, onde cerca de 900 bombas atômicas, inclusive a “Bomba H” e a Bomba de Nêutrons vinham sendo “testadas”. Esta última era dita a “bomba capitalista”, posto possuía a capacidade de matar por efeito da radiação, poupando – para quem? – as propriedades privadas. Neste clima surge, em 1957, o filme de Bert I. Gordon denominado “O Começo do Fim”, consolidando um subgênero de ficção científica terror denominado de “bigs bugs”, os insetos gigantes, mutantes criados pelo efeito da radiação, que ameaçam a humanidade. Ou simplesmente por uma morte silenciosa, suja, invisível e inevitável, decorrente de nuvens de radiação que circulariam o planeta. Descobrimos, então, que não era preciso estar próximo do “ponto zero”: os ventos, as chuvas, os rios e os mares seriam envenenados pela radiação durante uma guerra nuclear.

Foi então que assisti, na cinemateca do MAM no Rio de Janeiro, o filme de Alain Resnais, “Hiroshima, Mon amour”, de 1959, um manifesto radical contra a guerra, contra as armas atômicas e a loucura de vivermos sob a “Condição MAD” – a Mútua Destruição Assegurada, através da proliferação atômica. Tratava-se, e ainda é assim, do mais radical manifesto fílmico contra a guerra, contra todas as guerras.

Filmes fundamentais da agenda pacifista nos advertiam, então, que num “lapso momentâneo da razão”, como diria o Pink Floyd no álbum de 1987, poderíamos fazer em 30 minutos que o a Primeira e a Segunda Guerra Mundial juntas não fizeram durante anos seguidos: a completa destruição da Humanidade. Eram tempos de filmes pessimistas, sombrios e carregados de advertências, como “On the Beach” / A Hora Final, de 1959, dirigido por Stanley Kramer; “Fail Safe” /Limite de Segurança, de Sidney Lumet, de 1964; “Seven Days in May” / Sete Dias em Maio, também de 1964, dirigido por John Frankenheimer e, então, o arrasador “Dr. Fantástico” – ou “Dr. Strangelove: ou Como Parei de Preocupar e Aprendi a Amar a Bomba”, ainda em 1964, de Stanley Kubrick. Não era necessário dizer mais, bastava-nos falar “a bomba” para sabermos que havia uma ameaça fatal sobre a Humanidade. Não nos voltávamos para tecnicidades de guerra, se eram mísseis, aviões ou outro meio – o vetor – que nos levaria para o apocalipse. Bastava a menção “a bomba”, e todos sabíamos que seria o fim.

O ano de 1964 tornou o filme de Kubrick – com um genial Peter Sellers – especial. Aproximava-se com a Crise dos Mísseis em Cuba, em 1962 e a chegada dos “conselheiros” americanos no Vietnã, cada vez mais, a possibilidade da “Terceira Guerra Mundial”. Terceira e última guerra mundial, como advertiam homens como Einstein, Sartre ou Russel. A inconformidade norte-americana com a Revolução Cubana tornara a América Latina, e o Caribe, como hoje, numa ameaça à paz mundial, em especial com a Crise dos Mísseis de 1962, acelerando os golpes militares, ditos “preventivos”, por todo o continente, incluindo o Brasil, arrastando a Argentina e o Chile. A Guerra no Vietnã culminaria, em 1972, com terríveis bombardeios sobre Hanoi e Haiphong, atingindo navios soviéticos e chineses: o mundo prendia a respiração.

A corrida armamentista entre EUA e URSS chegava ao seu paroxismo. O mundo aterrorizado vivia a ameaça da “Segunda Guerra Fria”, impulsionada por Reagan e Thatcher, pela possibilidade real do uso da Bomba de Nêutrons e as novas armas nucleares, ditas táticas, miniaturizadas sob a forma de granadas e obuses nucleares, ao lado dos cálculos insanos do “futurólogo” apocalíptico Fritz Khan sobre quantos americanos morreriam numa guerra nuclear com a então URSS,  sugerindo ao complexo industrial-militar que a guerra nuclear não seria o fim e, ao contrário, valeria à pena para destruir o comunismo.  Nas ruas, em Berlim, escondíamos o slogan antiguerra: “Besser rot als tot! Ou “Melhor vermelho do que morto!”

Uma última advertência viria com o filme “Day After” / O Dia Seguinte, de 1983, dirigido por Nicholas Myer: o que aconteceria depois da guerra? A total ausência de meios médicos, a fome, o colapso das instituições e, então, o “inverno nuclear”, fenômeno que somando a fuligem, o pó e as cinzas da civilização calcinada criara um halo impenetrável à luz em volta da terra. Como há 66 milhões de anos morreram os dinossauros, a humanidade sucumbiria no frio e na escuridão de um inverno infinito.

Foi neste contexto, como advertência, que em 1947 foi criado o “Relógio do Fim do Mundo” – Doomsday Clock – pela artista paisagista Martyl Langsdorff por iniciativa do Bulletin of the Atomic Scientists, sediado na Universidade de Chicago: marcavam-se os minutos para a meia noite final. Naquele momento faltavam apenas 15 minutos de vida para a Humanidade.

Assisti “Day After” em Berlim, exatamente a cidade, com seu muro, que desencadearia, no filme, a guerra final – a cidade parou, estupefata, para assistir seu próprio fim. Um pouco antes, no Inverno de 1982, todos os berlinenses tinham sido acordados por um tremendo estrondo de aviões ultrapassando a velocidade do som sobre a cidade. Pessoas perambularam em choque nesta madrugada, muitos com roupas de dormir numa temperatura de oito graus abaixo de zero, certos de que a guerra começara. Era, no entanto, apenas uma escaramuça entre as forças aéreas americanas e soviéticas que romperam a velocidade do som sobre a cidade.

No entanto, havia no ar, para além dos aviões, o medo.

Havia resistência, bloqueios e protestos: milhões de pessoas foram para as ruas e pediram o fim das armas atômicas. Rua por rua, bairro por bairro, cidades como Berlim, Paris ou Roma eram declaradas “livres de armas atômicas”. A oposição estendia-se às usinas nucleares que desde a “Síndrome da China” – filme de James Bridge, de 1979, com a “guerreira da nossa geração”, Jane Fonda – sabíamos que não eram seguras. Os acidentes de Three Mile Island, exato em 1979, e depois em Fukushima, em 2011, viriam a confirmar os imensos riscos das usinas nucleares.

Então veio a derrubada do Muro de Berlim, em 1989 e o colapso da União Soviética: terminava a Guerra Fria. Havia uma possibilidade de paz, o que logo foi desmentido pelo surgimento de formas variadas de terrorismo e de empoderamento do Império Americano, como na Guerra do Iraque – dita “Guerra do Golfo” – de 1991.  Havia também a possibilidade de terrorismo nuclear: qual a segurança dos arsenais nucleares? O filme de John Woo, de 1996, “A Última Ameaça” – original “Broken Arrow” – viria a apresentar os riscos decorrentes da simples existência dos arsenais nucleares.

Aos poucos, com a esperança de termos superado os medos e as ameaças da Guerra Fria, acreditamos que o apocalipse nuclear havia sido superado. No entanto, não foi assim. Hoje, na Ucrânia, na Rússia, no Estreito de Taiwan, no Oriente Médio e no Caribe a “escalada” da guerra e a possibilidade de “derrapagem nuclear” é imensa, talvez superior a 1962 ou 1972. Basta um erro de algum dos atores nucleares – e agora são muitos mais do que eram em 1962 – para que haja um lapso momentâneo, e final, da razão. Um novo filme, desta feita “A Casa da Dinamite” de Kathryn Bigelow, de 2025, retoma os velhos temas: a paranoia geopolítica, o militarismo, o escasso controle civil sobre o arsenal atômico e os erros de avaliação dos políticos, para atualizar, como thriller de ficção política, a possibilidade real de um apocalipse nuclear.  Bigelow, como no conjunto de sua cinematografia, nos adverte sobre os riscos crescentes hoje de uma guerra nuclear generalizada.

Hoje a “Associação de Cientistas Atômicos” atualizou o “Relógio do Fim do Mundo”: faltam apenas 89 segundos para a Meia-Noite!

Artigo publicado em https://www.brasil247.com/blog/a-volta-ao-tempo-do-medo