por Aleatori0 | mar 20, 2024 | Artigos
Temos que fazer uma reflexão fria e a mais objetiva possível: por que Lula da Silva vive um inferno astral antecipado? Embora o aniversário de Lula seja só em 27 de outubro, o Presidente, malgrado estar no lado certo do bem, os resultados são muito ruins. PIB em crescimento, inflação em baixa, queda dos juros, 100 milhões de carteiras de trabalho assinadas e, no entanto, um profundo mau humor da população, mesmo petista, com as ações do Presidente. Claro, há respostas rápidas e igualmente erradas: erro ou falta de comunicação; viagens demais; manipulação das enquetes; má vontade da mídia, etc…. Contudo, erros, teimosia e soberba são moeda corrente nos Ministérios da Educação, Saúde, Cultura, Direitos Humanos, Povos Indigenas – malgrado todos os esforços da ministra – , da Mulher – com uma ministra que poderia estar num governo de Direita – Desigualdade Social. Todos ministérios “fins”, diretamente em contato com a população. Ao nosso ver, ao contrário do “economicisno vulgar e automatico” do núcleo político, que insiste em máximas políticas de outra época, do tipo: tudo bem na Economia, tudo bem no governo. Esse é um grande erro numa sociedade polarizada e onde a “pauta dos Direitos Humanos “, dita “de costumes,” tornou-se a tônica da oposição fascistizada. Esquecerem de analisar a conjuntura, e as tendências, nos Estados Unidos, Alemanha e Portugal. Boa gestão da “coisa econômica” não resolve num mundo dominado pelo cyberspace. O governo abdicou da disputa ideológica, e rangeu os dentes para quem vinha sendo o açoite dos fascistas, como Flávio Dino e Ricardo Capelli. Ficaram mau vistos. O governo quer, e insiste, em “virar a página” da História do Golpe. Uma “História” ainda em construção. Passa pano para militares golpistas e promove o “apagamento” de 1964, para grande escândalo dos votantes do PT e do próprio Lula. E vexame do Ministro dos Direitos Humanos. Num inédito ato de interpretação própria da História, o governo decide o que “remoer” ( ou seria “rememorar”?) ou não como ato de memória coletiva da Nação. Não entenderam que o bolsonarismo é o golpismo militar dos nossos dias. Ou Lula está mau assessorado em vários setores – vide móveis do Palácio Alvorada – ou não mais escuta ninguém. Sabendo da moderação de Lula, é mais fácil crer na soberba de “auxiliares” do Presidente – ninguém olhou o depósito do palácio? Isso não é função do Presidente! – para que possamos todxs desejar, antecipadamente, – feliz feliz aniversário, Presidente Lula.
por Aleatori0 | mar 13, 2024 | Artigos
Os inquéritos em curso na Polícia Federal e no STF, terão um desfecho dramático nos próximos dias. Já não se trata mais de um inquérito sobre o 8/01, mas um inquérito sobre o conjunto de atos antidemocráticos de 7 de setembro de 2021, de 30 de outubro de 2022 e de 12 de dezembro de 2022, permeado por mal-feitos do âmbito do Direito Penal. A situação atual aponta para as seguintes podsibilidades 1. A prisão de alguns generais, oficiais de média patente e de pelo menos um almirante em decorrência dos depoimentos do general Freire Gomes, do Brigadeiro Batista e o novo depoimento do tenente Coronel Mauro Cid, o que antecederia, mas não muito, a prisão de Bolsonaro; 2. Os oficiais bolsonaristas estão inflando o número de generais acusados visando criar mal-estar nas Forças e, consequentemente, instabilidade do governo. Ambas as versões não são excludentes. De qualquer forma, o Governo Lula gostaria que nada acontecesse até depois de 31 de março, para não produzir a impressão de “provocação”. Daí a orientação, equivocada, de Lula de não rememorar os 60 anos do Golpe de 1964. O governo federal continua, erradamente, distinguindo o bolsonarismo da tradição golpista dos Militares na História da República. Ao contrário dos especialistas, o núcleo político do governo não reconhece no bolsonarismo uma forma, a atual, do militarismo golpista. Assim como o positivismo, o florianismo, o tenentismo, o anticomunismo (sic) e o anti-trabalhismo golpista de 1964, o bolsonarismo é fruto dos quartéis, tendo como grande diferenciação o fato de ter unificado as diversas Direitas brasileiras via a fascistização. Perde-se assim a oportunidade única, histórica, de revogar a vigência da “Doutrina da Tutela Militar” ainda, e de forma ativa, vigente em setores das FFAAs e das polícias no Brasil.
por Aleatori0 | dez 6, 2023 | Artigos
É muito confuso e injusto apontar para os movimentos identitários atuais como causa da crise na Educação no Brasil . Mesmo trabalhando com apenas um fator da Desigualdade profunda no Brasil ( fator histórico raça/etnia, derivado da Escravidão e sua permanência social), o identitarismo é um fenômeno recente no país, ainda sem uma avaliação possível em sua completa extensão enquanto fenômeno de Emancipacao. Por outro lado, a “crise da Educação no Brasil é um projeto secular”, como diria Darcy Ribeiro. O Projeto “Novo” Ensino Médio/NEM, hoje entregue com descaso nas mãos das oligarquias no Congresso Nacional – “Mendoncinha” e outros – , é uma confirmação de uma proposta elitista que só valorizará as escolas privadas e confessionais, reproduzindo na Educação as desigualdades de etnia, gênero, sociais e etárias, além da Desigualdade urbano/rural e entre as diversas regiões do Brasil. Precisamos de um projeto nacional, amplo, includente, de qualidade e laico para a Educação brasileira. É uma exigência de justiça social e, também, uma exigência para a qualidade da Democracia no Brasil. É preciso descolonizar e deselitizar a Educação construindo um projeto brasileiro de Educação. De fato devemos: (1) reformar os currículos básicos em direção de ampliação de habilidades, desenvolvimento da sociabilidade e descoberta de vocações; (2) tornar real o tempo integral em todas as escolas, com três refeições diárias, esportes, artes e assistência médica – o Brasil voltou a ser um país do mapa da fome; (3) formar mais e melhor os professores, que devem ser professores de 40 horas numa só escola, e não professores “de matrículas” múltiplas; (4) organizar um Plano de Cargos e Salários digno para os professores, com base no regime de 40 horas e DE , e amparar profissionais de artes, saúde, agronomia, informática, etc…. a serem habilitados como instrutores nas escolas de perfil específico, sob supervisão dos professores designados. Tudo sustentado por municípios e Estados, com subvenção federal onde necessário; (5) transformar as escolas em ambientes convidativos, agradáveis e seguros para alunos , professores e todo o pessoal envolvido no processo educacional; (6) manter as escolas abertas nos feriados e fins de semana para atuação de grupos de teatro , festivais de música, exposições de arte e esportes, protegendo crianças e adolescentes e fomentando talentos e vocações.
Para tudo isso devemos abandonar as ilusões do “Projeto de Sobralização” da Educação no Brasil. Não se trata de melhorar estatísticas. Queremos mudar a vida. Devemos, para isso, fazer avaliações por escolas, não por alunos, nas capacidades básicas de Ler, Escrever e Contar, investir no letramento “social” e informacional, entender o mundo digital como ferramenta geral de conhecimento e de habilitação, não como conteúdo específico. Não podemos aceitar a “ilusão estatística” que aponta a correspondência faixa etária / seriação como bastante e nem tão pouco o número de matrículas e a demanda demográfica. Devemos valorizar o Ensino Médio como fase de aprimoramento de conhecimentos e de primeiros passos da cidadania. Precisamos de avaliações de qualidade e autonomia , fora do universo de múltipla escolha. Nesse contexto, de ênfase em Ler, Escrever e Contar os conteúdos específicos da Educação Básica virão na forma de ferramentas, exercícios, visitas guiadas e laboratórios de criação, com muitos recursos ao áudio-visual.
Ou fazemos já uma “Revolução Educacional” no Brasil ou seremos sempre um país das profundas desigualdades transversais – de tipo social, étnica, de gênero, região e idade. Só a Educação Crítica liberta do ódio, do preconceito e emancipa todxs numa nação próspera e justa.
Viva Darcy Ribeiro! Viva Paulo Freire!