Sob o norte de Carlos Drummond de Andrade, em seu poema “Nosso Tempo”, voltamos a pensar a História do Tempo Presente como essa possibilidade de múltiplos enlaces que do presente explica o passado ou, nas palavras do poeta, que o historiador apropria, rouba e aplica: “E continuamos. É tempo de muletas.
Tempo de mortos faladores
e velhas paralíticas, nostálgicas de bailado,
mas ainda é tempo de viver e contar.
Certas histórias não se perderam”.
E o poeta, como o historiador, insiste e prossegue: “Contai!”, nunca podemos ceder e nem calar, temos o dever de contar todas as Histórias do nosso tempo, o tempo presente e seus enlaces.
Este livro examina a formação do sistema internacional moderno a partir do pensamento histórico e político de Leopold von Ranke, tomando o Concerto das Nações como categoria central para compreender o equilíbrio europeu do século XIX. A obra analisa como Ranke concebeu a relação entre soberania, legitimidade, diplomacia e guerra, destacando o papel das grandes potências na construção de uma ordem internacional baseada na contenção de conflitos e na estabilidade sistêmica. Ao articular história intelectual, história política e relações internacionais, o livro demonstra como o concerto europeu não foi apenas um arranjo diplomático, mas uma visão de mundo fundada em pressupostos históricos, morais e teológicos. Este trabalho discute os limites e as heranças desse modelo para a compreensão das crises da ordem internacional contemporânea, evidenciando a atualidade crítica do pensamento rankeano.