Quando o rabo abana o cão

Quando o rabo abana o cão

Os ataques desta madrugada,  28 de fevereiro,  longamente planejados, de Israel e Estados Unidos, contra o Irã, marcam uma profunda ruptura na ordem mundial.

A decisão de atacar foi tomada em meio  a um processo internacional, mediado por países como Turquia, Oman e Emirados, de negociações entre as partes. Tais ataques remetem claramente ao ataque do Império do Japão contra Pearl Harbor em 7 de dezembro de 1941, quando negociações estavam em curso. Os Estados Unidos denominaram este dia como o “Dia da Infâmia”. Hoje vivemos o mesmo desprezo dos fascistas históricos  pelas regras e normas do Direito Internacional.

A motivação em Washington e Tel Aviv são duplamente condenáveis: de um lado, mentem ao atribuir capacidade nuclear iminente ao Irã. Trata-se de uma mentira , contra uma realidade factual, usada para efeito doméstico, que ignora as ofertas de acordo existentes da parte de Teerã e o fato de que foi Trump que rompeu o acordo de limitação do enriquecimento de urânio com Irã. Atacar enquanto negocia demonstra má fé, e tornam os Estados Unidos um Estado pouco confiável e com o qual negociar é extremamente perigoso.  A outra justificativa, a mudança de regime – um velho hábito de Washington na América Latina – não só é ilegal, como ainda ineficaz e muito pouco efetivo, como nos mostram os ataques contra o Iraque, Afeganistão, Síria, Líbia. Além de destruição e mortes, as tentativas de mudança de regime resultaram no advento de regimes ainda mais instáveis após a intervenção do Ocidente.   Da mesma forma, os argumentos sobre defesa dos direitos humanos soam risíveis. Não só tais direitos são pisoteados pelos seus pretensos defensores, em Gaza ou na infame “Alligator  Alcatraz Camp” do ICE, como, ainda, são os dirigentes de ambas as nações atacantes,  Trump e Netaniahu, contumazes violentadores de direitos básicos, incluindo de crianças, seja em Gaza, seja em mansões na Flórida.

Todos argumentos de justificativa dos ataques são, portanto,  inaceitáveis e falsos. Na verdade, trata-se de um notável caso de “rabo que abana o cachorro”: as eleições gerais em Israel e nos EUA, entre outubro e novembro de 2026, ao lado do fato que Trump e Netaniahu são alvo de investigações criminais, iluminam, bem mais, as motivações dos ataques. São ambos líderes acusados de obstruir a justiça, de corrupção e, mesmo, no caso de Trump,  de pedofilia e tráfico sexual. Claro, seria uma excelente oportunidade para controlar o mercado mundial de petróleo, fechar o abastecimento de energia da China, isolar a Rússia e de paralisar os BRICs. Mas, não podemos deixar de sublinhar o primado da política interna, neste caso,  sobre a política externa. É o rabo que abana o cão em serviço de agendas autoritárias e corruptas de ambos os políticos. A superioridade da força criou uma hubris, a arrogância que mata e ao final volta-se contra seu autor, que transformou o campo das relações internacionais em um espaço sem lei.

Especialista Teixeira: A agressão contra o Irã provou que as negociações de paz com os EUA são perigosas.

Especialista Teixeira: A agressão contra o Irã provou que as negociações de paz com os EUA são perigosas.

A agressão dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã demonstrou que todas as tentativas de normalizar as relações com Washington estão fadadas ao fracasso. O governo americano é capaz de atacar mesmo enquanto continua formalmente as negociações para resolver a crise, disse à TASS o historiador e cientista político brasileiro Francisco Carlos Teixeira, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

“O ataque durante as negociações demonstra a má-fé [de Washington] e comprova que os Estados Unidos são um negociador pouco confiável, com quem é extremamente perigoso dialogar”, observou ele.

Segundo o analista, a Casa Branca mente ao afirmar que os EUA enfrentam uma ameaça do Irã. “Essa é uma mentira […] que [as autoridades americanas] usam para seus próprios fins internos”, enfatizou o cientista político. “A outra justificativa [para a agressão] — a mudança de governo — é uma prática tradicional de Washington na América Latina. Não só é ilegal, como também ineficaz, […] como comprovam os ataques ao Iraque, Afeganistão, Síria e Líbia”, destacou Teixeira.

Os Estados Unidos e Israel lançaram uma operação militar contra o Irã. Grandes cidades iranianas, incluindo Teerã, foram atingidas. A Casa Branca justificou o ataque citando supostas ameaças nucleares e de mísseis por parte do Irã.

A Guarda Revolucionária Islâmica anunciou uma operação retaliatória em larga escala. Foram relatados lançamentos de mísseis e drones vindos do Irã, e sirenes de alerta aéreo soaram na região de Tel Aviv. Segundo a agência de notícias Mehr, bases militares americanas no Bahrein, Jordânia, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita também foram atingidas.

Os países da região estão fechando seu espaço aéreo e as companhias aéreas estão suspendendo voos.

Publicado em: https://tass.ru/mezhdunarodnaya-panorama/26592627

Fascismo continua fascismo

Fascismo continua fascismo

Até que ponto o fascismo se reinventa e permanece, no entanto, fascismo? O núcleo duro do fascismo reside na doutrina do “inimigo interno”, um outro conveniente para justificar todos os atos brutais de destruição dos direitos e garantias civis. O militarismo, o nacionalismo excludente, o mito e o culto da personalidade – do Führer, Duce, Conductor ou do “Mito” -, o partido-Estado como máquina, a utopia regressiva de uma falsa idade do ouro perdida, todos estes elementos fundamentais ao constructo “fascismo” possuem uma conexão direta com a noção de “inimigo interno”.

Historicamente, o povo judeu foi ressignificado contemporaneamente – através da reapropriação do fundo cristão medieval de ódio ao povo dito “Cristocida”, embora o domínio da Justiça local fosse romano – como o Outro por excelência vaticinado ao sacrifício. O antissemitismo é, sempre, um alerta do fascismo que avança. Hoje o fascismo continua excludente, homicida e exterminacionista. Judeus continuam sendo o estranho/estranhado/estrangeiro, e por vezes a força do socioleto fascista – dito de forma redutora como “fakenews” -, acaba por contaminar a própria análise social.

Nem mesmo cientistas sociais e historiadores são imunes em face da novilíngua e seu caráter dissociativo da realidade. Em especial aqueles que não unem produção acadêmica com intervenção social, moldando sua atuação para o espetáculo das redes sociais. No entanto, outros grupos sociais foram somados ao núcleo de “inimigos internos”, como negros, indígenas e latinos, apontados como os “feios”, degenerados, os que comem animais domésticos e transmitem doenças contagiando a raça superior branca. O Brasil é, hoje, um laboratório de experimentação do (neo/pós/)fascismo.

O socioleto fascista busca normalizar o racismo, identificar o outro como a origem do comportamento criminoso e plantar a cizânia no campo antifascista. Ninguém tem a exclusividade da condição de vítima, embora o número de russos, chineses, judeus ou poloneses mereça destaque. Hoje todos que não sejam dolicocéfalos louros de olhos azuis correm o risco do carimbo de “inimigos”, portanto aquele que deve ser separado, excluído e, quando possível, exterminado. Temos hoje que ampliar a luta antirracista: não há um racismo índice único ou uma luta específica.

O racismo é uma hidra de mil cabeças. O antissemitismo é um racismo. O “antipretismo”, contra negros e pardos, é um racismo. O desprezo genocida aos povos indígenas, como foi feito contra os cinta-larga, os kren-akarore e os yanomamis, é produto do racismo. A Islamofobia é uma forma de racismo e o ódio ao povo LGBT é uma forma de racismo. Não existe, assim, uma luta específica contra “um” tipo de racismo.

Devemos, TODXS, nos unir na luta antifascista, sem perdão com os racistas. Tal luta deve começar nas escolas, nossa última trincheira. A história da escravidão, do genocídio indígena e do Holocausto são temas insuperáveis de uma Educação emancipadora. Ninguém terá um passe de imunidade perante supremacistas brancos ou brancos (auto)imaginários. A luta antirracista é uma tarefa de todos, imediata e sem trégua.

As razões da senhora Chomsky

As razões da senhora Chomsky

As razões da Senhora Chomsky. Não bastam! Não houve desculpas sinceras, apenas pretensão de ingenuidade e a alegação de desconhecimento, de supercialidade de relações, por parte de um especialista em semiologia, filósofo; repito, não basta, nem muito menos etnia e origens culturais e nacionais são justificativas.

Em verdade, nós cientistas sociais , sempre vemos quem é filosoficamente nosso “Outro”.

Há inimigos de classe irrecuperáveis, pessoas que sujam ao toque, pedofilia, estupro e violência com os fracos são imperdoáveis. E ainda os serviços ao Mossad da parte do criminoso, que eram bem conhecidos.

Houve processo e testemunho de dezenas de mulheres e adolescentes que foram descartados e abandonados.

Na vida fazemos escolhas, incluindo a escolha de não escolher e isso tem um peso, implica em julgamentos éticos posto que geram sofrimento humano. Eu bem sei isso e carrego as consequências de não acreditar no silêncio obsequioso e no lado “família” de torturadores, pedófilos e estupradores .