Está difícil? O mundo pegando fogo?

Uma solução: fuja para o friozinho da sua geladeira!

É isso que um comercial de um telejornal te aconselha. Há ódio lá fora? “Eu não vejo!” diz a voz em off. Não olho para o racismo, as guerras, os genocídios nossos, como a contínua morte dos Yanomami – afinal, não possuem geladeiras! Seja lá fora, o massacre dos Palestinos – “boom!” Não possuem mais usinas elétricas! No intervalo do telejornal, entre bombas, mísseis e drones só vejo os imãs mágicos da porta da geladeira! “Eu quero esse mundo” , só dele, dentro da casa protegida daqueles que podem comprar o último modelo Frozen, idílico , clima de “primeiro mundo”. Olhe o mundo pela porta da geladeira, se não te agradar você fecha a geladeira e se conserve gelado até o mundo melhorar. Não tema , olhe o mundo através da mercadoria ideal: a geladeira! A nova máquina de melhorar o mundo: basta fechar a porta! Bom, claro, que não vale para quem não tem geladeira, como alguns milhões de brasileiros, ou como aqueles que usam a geladeira como armário porque não tem energia como em São Paulo!

“Pauta de costume” é uma ova!

O acordo proposto pelo Ministro Alexandre Padilha aos membros da bancada dita evangélica do Congresso Nacional é um imenso recuo, na verdade uma capitulação sem garantias, perante o atraso. Ao negociar valores sociais e culturais, em nome de uma “pauta de costumes”, Padilha trai as promessas eleitorais e abre mão daquilo que ele não teve nenhuma autorização social de negociar no mercado eleitoral. Trata-se, em verdade, do abandono da Agenda de Direitos Humanos no Brasil, incluindo a união civil de gays, os Direitos Femininos, a condição carcerária, o controle das polícias, o uso pessoal de drogas não químicas, a adoção de crianças por famílias não heteronormativas, formas de famílias outras que o pátrio – impositivo, a condenação da homofobia e da misogenia…. Mas, isso preocupa Alexandre Padilha? Não, claro que não. Afeta milhões de brasileiros, mas não é um problema para homens velhos, brancos, hetero e muito longe da condição trabalhadora e popular no Brasil. Aliás cada vez mais Brazil. Viva Alexandra Kollontai!

Feliz Aniversário, Presidente Lula!

Temos que fazer uma reflexão fria e a mais objetiva possível: por que Lula da Silva vive um inferno astral antecipado? Embora o aniversário de Lula seja só em 27 de outubro, o Presidente, malgrado estar no lado certo do bem, os resultados são muito ruins. PIB em crescimento, inflação em baixa, queda dos juros, 100 milhões de carteiras de trabalho assinadas e, no entanto, um profundo mau humor da população, mesmo petista, com as ações do Presidente. Claro, há respostas rápidas e igualmente erradas: erro ou falta de comunicação; viagens demais; manipulação das enquetes; má vontade da mídia, etc…. Contudo, erros, teimosia e soberba são moeda corrente nos Ministérios da Educação, Saúde, Cultura, Direitos Humanos, Povos Indigenas – malgrado todos os esforços da ministra – , da Mulher – com uma ministra que poderia estar num governo de Direita – Desigualdade Social. Todos ministérios “fins”, diretamente em contato com a população. Ao nosso ver, ao contrário do “economicisno vulgar e automatico” do núcleo político, que insiste em máximas políticas de outra época, do tipo: tudo bem na Economia, tudo bem no governo. Esse é um grande erro numa sociedade polarizada e onde a “pauta dos Direitos Humanos “, dita “de costumes,” tornou-se a tônica da oposição fascistizada. Esquecerem de analisar a conjuntura, e as tendências, nos Estados Unidos, Alemanha e Portugal. Boa gestão da “coisa econômica” não resolve num mundo dominado pelo cyberspace. O governo abdicou da disputa ideológica, e rangeu os dentes para quem vinha sendo o açoite dos fascistas, como Flávio Dino e Ricardo Capelli. Ficaram mau vistos. O governo quer, e insiste, em “virar a página” da História do Golpe. Uma “História” ainda em construção. Passa pano para militares golpistas e promove o “apagamento” de 1964, para grande escândalo dos votantes do PT e do próprio Lula. E vexame do Ministro dos Direitos Humanos. Num inédito ato de interpretação própria da História, o governo decide o que “remoer” ( ou seria “rememorar”?) ou não como ato de memória coletiva da Nação. Não entenderam que o bolsonarismo é o golpismo militar dos nossos dias. Ou Lula está mau assessorado em vários setores – vide móveis do Palácio Alvorada – ou não mais escuta ninguém. Sabendo da moderação de Lula, é mais fácil crer na soberba de “auxiliares” do Presidente – ninguém olhou o depósito do palácio? Isso não é função do Presidente! – para que possamos todxs desejar, antecipadamente, – feliz feliz aniversário, Presidente Lula.

1964 e o Golpe de 8 de Janeiro de 2023

Os inquéritos em curso na Polícia Federal e no STF, terão um desfecho dramático nos próximos dias. Já não se trata mais de um inquérito sobre o 8/01, mas um inquérito sobre o conjunto de atos antidemocráticos de 7 de setembro de 2021, de 30 de outubro de 2022 e de 12 de dezembro de 2022, permeado por mal-feitos do âmbito do Direito Penal. A situação atual aponta para as seguintes podsibilidades 1. A prisão de alguns generais, oficiais de média patente e de pelo menos um almirante em decorrência dos depoimentos do general Freire Gomes, do Brigadeiro Batista e o novo depoimento do tenente Coronel Mauro Cid, o que antecederia, mas não muito, a prisão de Bolsonaro; 2. Os oficiais bolsonaristas estão inflando o número de generais acusados visando criar mal-estar nas Forças e, consequentemente, instabilidade do governo. Ambas as versões não são excludentes. De qualquer forma, o Governo Lula gostaria que nada acontecesse até depois de 31 de março, para não produzir a impressão de “provocação”. Daí a orientação, equivocada, de Lula de não rememorar os 60 anos do Golpe de 1964. O governo federal continua, erradamente, distinguindo o bolsonarismo da tradição golpista dos Militares na História da República. Ao contrário dos especialistas, o núcleo político do governo não reconhece no bolsonarismo uma forma, a atual, do militarismo golpista. Assim como o positivismo, o florianismo, o tenentismo, o anticomunismo (sic) e o anti-trabalhismo golpista de 1964, o bolsonarismo é fruto dos quartéis, tendo como grande diferenciação o fato de ter unificado as diversas Direitas brasileiras via a fascistização. Perde-se assim a oportunidade única, histórica, de revogar a vigência da “Doutrina da Tutela Militar” ainda, e de forma ativa, vigente em setores das FFAAs e das polícias no Brasil.